Censura em Blogs de Casamento

Lendo a comunidade CASAR É FÁCIL, da Manu Missura no orkut, me deparei com uma questão que era novidade para mim: censura de material PESSOAL online.

Eu fiquei sabendo só agora, mas a Manu Missura teve de responder a processo em virtude de um comentário de uma noiva sobre um determinado fornecedor e um casal com um blog muito legal que recebeu intimação e tudo mais por causa de um post contando de uma degustação de docinhos da qual não gostaram. Isso no âmbito de casamentos, mas teve até gente tendo de pagar “milzes” reais por ter postado falando de uma consulta médica onde foi mal-atendida.

Opinião [do latim opinione] – 1. Modo de ver, de pensar, de deliberar. 2. Parecer, conceito.

Alguém aí entendeu opinião como verdade absoluta? Para mim, todo modo de ver, de pensar, de deliberar…todo parecer e todo conceito é subjetivo e portanto, pessoal.

Acho triste que algumas empresas assumam essa postura em épocas de mídias tão ativas e onde relacionamento com o cliente é algo tão importante. Marketing inteligente é o da empresa que usa essas mídias para descobrir quais são as verdadeiras opiniões dos consumidores a respeito do seu produto buscando através dessas pessoas atingir um nível de excelência. Não manjo nada de Adm (meeeeesmo), até pedi a opinião de um amigo especialista (abaixo). Mas é só o que me parece o óbvio ululante.

No final das contas, uma empresa que pressiona um blog com tantos seguidores, como é o caso do blog da Lari e do Rô, acaba fazendo uma anti-propaganda muito maior do que o post em si. Digo isso porque provavelmente não existe nada mais pessoal do que festa de casamento: basta pegar nosso exemplo das coxinhas… O que eu abomino é PRIMORDIAL para a Thaís e a Verônica. Todo mundo sabe disso. Todo mundo sabe que a gente cresce imaginando como vamos realizar cada detalhe no que é para ser o NOSSO dia. Se eu escrevo que não gostei de tal buffet porque a comida estava engordurada, eu DUVIDO que alguém que se interesse DE FATO por esse buffet deixaria de ir conhecê-lo por causa do que eu, uma desconhecida, escrevi. Eu pelo menos usaria da experiência alheia para pleitear um desconto ou exigir com cláusula contratual comida sequinha!! hahahahahaha

Acho fundamental discutir atendimento, negociação, disponibilidade…porque no final das contas, são coisas muito subjetivas…que variam não só da opinião, mas das expectativas de cada um.

Proibir opinião é censura. Os blogs são canais abertos, possibilitando sempre direito de resposta. Empresa inteligente se aproveita disso. Acho que a evolução da relação empresa-consumidor foi uma coisa muito batalhada e construída lentamente através de tanto tempo…Vale a pena jogar tudo para o alto assim? Quanto vale sua marca, empresa de docinhos X? Confiar no nosso fornecedor não tem preço para uma noiva!

Acho que mesmo em 2010, o maior marketing é o boca-a-boca e por isso os blogs de noiva funcionam tão bem e fazem tanto sucesso. Ninguém quer arriscar um furo no que é para ser o maior dos dias – nem que pague mais caro por isso. Justamente poresse motivo nos conhecemos, trocamos informações, falamos de preços, das variedades regionais e especialmente da qualidade de serviço prestada. Aliás, também por isso contratamos assessoria: para contratar quem vai primar pela excelência e qualidade porque já o fez antes.

Como disse a advogada lá no blog do simpático casal: as proporções são questionáveis. Se alguém falar mal de Avatar, James Cameron não vai ligar e pedir para tirar o blog do ar. Nem o Caetano se alguém postar que não gostou do arranjo do último CD dele…

Aos fornecedores que não se usam de todas essas informações fornecidas pelos próprios clientes, eu lamento. E lamento como consumidora – porque acredito que a qualidade de serviço só tende a melhorar com o passar do tempo, tendo em vista a concorrência do mercado… E aos fornecedores que não sabem lidar com a nova era das mídias, fazendo valer uma censura que deveria ter sido enterrada junto com a ditadura no nosso país, eu só posso lembrá-los de que também são consumidores… It’s a two-way street.

Como eu não sou mulher de achismos – e não conhecendo nada sobre o assunto além da minha experiência como consumidora que  liga para 0800 sempre que necessário – pedi para que um amigo meu, catarinense da Nação Independente de Vargem, mestre em Administração com mérito, professor e futuro doutorando da minha querida USP comentasse o post do ponto de vista do administrador.

E vocês, meninas, o que acham disso tudo?

Para ler: Revista IstoÉ  N° Edição:  2095 |  30.Dez – 15:00 |  Atualizado em 25.Jul.10 – 17:19

Anúncios

9 Respostas para “Censura em Blogs de Casamento

  1. Deixo aqui minha modesta opinião, na qualidade de advogado e professor, a pedido de meu colega João Paulo e motivado pelo debate.

    Pela situação narrada no blog, inicialmente é importante ressaltar que jamais um processo judicial poderá impedir a livre manifestação, até porque esta é autorizada pela Constituição Federal. (Direito de livre manifestação e de resposta proporcional ao agravo)
    Assim, todo e qualquer consumidor pode manifestar sua insatisfação com determinado produto ou serviço, desde que o faça de forma fundamentada e perante os órgãos competentes.
    Da mesma forma, o empresário poderá fazer cessar excessos ou reclamações improcedentes ou inconsistentes.
    Lembremos que a Lei vale para todos e nos dias atuais o consumidor é beneficiado ainda mais pelo Código de Defesa do Consumidor, que lhe concede a condição de “hipossuficiente” em relação à sociedade empresária e assim, lhe facilita a defesa dos interesses em Juízo.
    Em resumo, se tenho um problema com um produto ou serviço e a empresa não promove a regularização da situação, posso sim, manifestar-me acerca do descaso e descomprometimento com o cliente, inclusive, tal situação já é divulgada pelo próprio PROCON que divulga relação das mais “reclamadas”, destacando reclamações atendidas e não atendidas.
    Concluo lembrando que a Lei reprime os excessos decorrentes mais das mazelas do ser humano do que do próprio produto ou serviço em sí.
    Por exemplo, compra-se um produto defeituoso e solicita-se a devolução, esta que vem a ocorrer após longo período. Diante da minha insatisfação eu crio um blog ou algo do genero para atacar e combater a imagem da empresa incessantemente. Se for apurado excesso, certamente poderei ser compelido a indenizar.
    Viva o estado democrático, no qual nosso direito deve respeitar o do próximo e dai-nos sabedoria para “dintinguir” esta linha tênue… (na dúvida: consulte um advogado…rsrsrs)

    abraços e parabés pelo Blog!
    Sérgio

  2. Olá,

    É impossível ler esse post sem ficar com várias ‘pulgas atrás da orelha’. Tudo o que temos ensinado e aprendido sobre marketing, relacionamentos, empatia, competitividade ou até mesmo colaboração é amassado e jogado no lixo por empresas como essas. Acabei pesquisando um pouco sobre o assunto e é recorrente.

    Dizer que o cliente (ou ex-cliente) ao reclamar está atrapalhando o negócio é tão idiota quanto espirrar na farofa. Oras, o cliente está de fato ajudando e mostrando caminhos e correções. Mas, como se diz em Vargem, se a grama muda de cor, o burro morre de fome.

    Mas se fosse esse o problema, eu não ficaria pessoalmente preocupado… Tudo bem que eles não deem a mínima aos clientes, que queiram esconder fiascos e que percam negócios por isso. O absurdo mesmo é essa tentativa arrogante, estúpida e sem legimtimação, ao tentar suprimir a liberdade de expressão. Democracia e liberdade ensejam livre opinião. Se a informação postada em blogs é incoerente, defendam-se. Se é verdadeira, agradeçam e busquem aprender com ela.

    Não acho que as empresas não devam ir atrás de seus direitos, pois a mesma liberdade que o cliente tem (ou deveria ter, segundo os princípios da gestão) as empresas também possuem.

    Mas sinceramente fico desapontado com a postura adotada nesses casos. A maioria dos posts escrito por especialistas encerra com conselhos aos blogueiros. Como aprendiz e amante da administração, encerro com um clássico conselho aos administradoes e gestores, dado por Sam Walton – http://blogs.abril.com.br/blogdojj/2009/06/um-cliente-por-sam-walton-fundador-wal-mart.html

    • Caro amigo JP (velho JIU…rs),

      Como sempre, genial.

      Identifico-me muito com esse texto do Sam Walton pois eu também sou assim. Já disse a minha manicure: eu nunca reclamo que a unha foi mal-feita, que não gostei do corte de cabelo…eu simplesmente não volto.

      Postura é tudo.

      Obrigada pela (sempre brilhante) opinião.

  3. Estou impressionado! Blog realmente informativo aqui meu amigo. Eu só queria comentar e dizer que manter o trabalho de qualidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s