A tal fase de adaptação…

Queridíssimas,

Eu achei que fosse papo. Juro.

Não achei que o casamento fosse ser lá muito diferente da nossa convivência intensa. Afinal, o que é que podia mudar tanto na nossa relação que já envolvia há tempos finais de semana inteiro juntos, com malinhas daqui e de lá levando os pertences básicos de sobrevivência? Achava honestamente que nossas tradições de sexta, sábado e domingo seriam válidas também para o resto da semana.

E aí a gente volta da lua de mel e vê que algumas coisas mudaram para sempre.

A primeira delas é a profundidade da relação. E provavelmente a mais difícil de se explicar… O Gustavo dizia sempre que não precisava de padre ou juiz de paz para se sentir casado, que valia o sentimento.

Depois do casamento a gente descobre que não é bem assim.

Seja por crenças pessoais, seja pela importância do ritual, seja pelos compromissos assumidos juntos…não sei, tudo muda. Por mais besteira que isso possa parecer (e acreditem, parece até para mim enquanto estou escrevendo), os laços ficam mais fortes. A coisa toda fica mais profunda, as prioridades e o foco mudam. De repente, a gente se vê responsável um pelo outro, companheiros únicos nas conquistas e dificuldades.

Não, não acho que um casamento precise ser legal para que seja criada essa cumplicidade inédita, mas acho que o próprio ritual em si intensifica o processo. Assumir o “minha vida mudou a prtir de agora” tem um efeito grande nas pessoas.

As responsabilidades com a casa também aparecem. E mesmo para alguém que já lidava com tarefas domésticas e organização do lar (não era o meu caso MESMO), um zilhão de coisas novas precisam ser aprendidas. Exemplo bobo: até hoje fazer compras no supermercado é uma tarefa difícil!Eu nunca tinha sido responsável por isso, mas o Gustavo sim (ele mora fora da casa dos pais desde os 15 anos). Mesmo assim, quase metade da nossa primeira compra foi pelo ralo: não conseguimos consumir tudo antes que expirassem os prazos de validade. Na próxima compra, o oposto: quarta-feira e já não tínhamos o que comer em casa! hahahahaha

Ah, os quebra-cabeças e os mistérios domiciliares…

Aí a gente faz uma série de besteiras també: retomando minha dieta, passei em frente ao Extra. Sim, o supermercado (“mais barato, mais barato, mais barato”….manja o jingle?). Achei que era o cúmulo da esperteza por aproveitar o momento e já adiantar parte das minhas compras. Detalhe: era quarta-feira. Inocente e virgem de competições em sacolão, quase fui devorada pelas velhinhas e donas de casa insanas pegando tudo das prateleiras como se não houvesse amanhã. Saí sem alface, porque não consegui chegar perto da banquinha.

Mas algo aconteceu nesses primeiros tempos de casamento: eu, que sempre fugi desesperadamente de qualquer coisa que lembrasse serviço doméstico, fui picada pela síndrome de amélia (e depois descobri que isso é tão normal que tem até livros publicados sobre isso!): é a MINHA casa e eu a quero limpinha, arrumadinha e cheirosinha. HÁ!

Eu nunca fritei nem ovo.

Claro que essa síndrome entrou pelo saco assim que eu voltei para a minha insana rotina de trabalho. Aí veio a frustração por não conseguir dar conta de tudo. E o Gustavo meio surpreso meio emputecido com a minha mania non-stopping de limpar janelas.

E aí descobrimos – graças a uma indicação de noivinha do NMN – a Gi, que sabe mais da minha casa que eu! hahahahaha

Mas eu seria mentirosa se dissesse que têm sido fácil. Não só a questão operativa da coisa (meu maior problema é ter de parar de trabalhar para descobrir o que vou comer…), mas a própria adaptação em si. São hábitos, manias, rotinas, expectativas e cismas de duas vidas completamente diferentes dentro da mesma casa. Diferenças que a gente vê desde o momento em que acorda até a hora que vai dormir (porta aberta? cobertor? edredon? escovar os dentes andando? molhar a pia? abaixar a tampa do vaso? colocar papel higiênico? tomar café da manhã na cozinha? em frente à tv? sentados com a mesa arrumadas? mau humor matinal? lavar louça assim ou assado? quem lava? que programa assistir? etc etc etc). Coisas das mais simples e idiotas, até coisas que mostram que as pessoas têm criações e valores diferentes.

E aí a gente começa a organizar a NOSSA rotina, juntos.

Não é mole não.

Mas é delicioso. E cada probleminha tem pelo menos três ou quatro grandes compensações.

Tudo bem trabalhar de monte o dia inteiro: a noite, a gente fica junto…nem que seja só para dormir abraçadinho. Passar um final de semana de chuva juntos e sozinhos em casa vendo TV é o ideal de felicidade. Pegar piscina no sábado de manhã, juntos. No nosso prédio. Ficar conversando até pegar no sono. Receber nossos amigos na nossa casa. Fazer tudo do nosso jeito. Seguir nossos horários e nossas vontades. Planejar nosso futuro. Construir nossa vida. Viver nossa vidinha. Assim, do nosso jeito.

Espero nunca me adaptar ou me acostumar a tudo isso… =)

Beijos,

@ise_pregnolatto

tvpregnolatto@gmail.com

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6 Respostas para “A tal fase de adaptação…

  1. Ise,
    como sempre “é td isso msmo!!!”…..
    a “dita” baica msmo e vc sente o maior prazer em cozinhar e limpar a casa, como nunca antes imaginado.
    é uma correria danada q vc ñ consegue dar conta de td…
    E é deliciosamente o paraíso passar um dia de chuva no sofá vendo TV e conversando…. fortifica, aproxima e vc ve q ñ está sozinha, como imaginava q se sentiria longe da sua família e minutos antes do casamento. Mto pelo contrário vc vê q tem do seu lado uma pessoa q te ama mto e faz de td pra cuidar de vc….. é um DELICIAAA!!!…
    só discordo de uma coisa…. vc tem mais q se acostumar sim…. e desejar q tds os seus dias sejam essa delícia… um aprendizado diário, vendo q c/ companheirismo td fica fácil e apaixonante!

    bjussss

  2. como sempre, me retenho no mais besta do post: nao consigo parar de te imaginar tentando comprar alface!!!! hehehe!!

    e teu blog eh tao conhecido que o google jah sugere “noivamuitoneurotica thaise”

    demais!

  3. Perfeito!!!! Exatamente o que estou sentindo ou vivendo! Não estou sozinha! A síndrome de Maria tb m pegou e meu marido morre de rir com isso! Apesar de eu já ter morado sozinha antes, tomar conta da minha casa e até já ter morado com ele e tudo mais… Depois de casada vc é esposa! rs Quero ser tudo de melhor pra ele, enfim, você já disse tudo! rs

  4. são justamente esses pensamentos do seu texto que tem martelado muito minha mente a ponto de querer voltar com um ex.
    já estamos conversando ha alguns meses, mas agora, só o tempo pra e os acontecimentos nos dirão que direção tomar.

  5. Iseee, mto bom ver post seu por aqui!! Estamos com saudades de vc e da Sabrina!!

    O casamento está chegando, mas já passei e ainda passo pelo período de adaptação!! Moro com meu noivo faz 2 anos, então acho que posso comentar no post rsrsrs É engraçado o qnto muda em nossas vidas qndo passamos a ser as DONAS de casa. Pq assim, somos modernas, mas ainda mantemos uma certa Amelisse em nós rsrs. Eu gosto de cozinhar rsrs mas acho uma tortura este lance de ter que pensar no prato do dia rsrsrs E o mais legal da vida á dois, para mim é exatamente o que vc falou, um dia chuvoso no sofá, estilo conchinha é algo absolutamente incrível. Sinto que esta vida a dois faz os pequenos momentos incríveis!! Adoro saber q mesmo com a vida absurdamente corrida, todos dias (no geral) ainda poderei dormir abraçada com o meu amor!! E sabe aquele filme bpasico numa quarta-feira? ADORO, afinal, nós trabalhamos no dia seguinte, mas ngm precisa ser deixado em casa, pq iremos para a nossa casa!! Receber amigos no nosso espaço, n têm preço!! Vida de “casados” não é um filme, mas têm seus momentos mágicos que valem cada segundo!! Adoro!!
    Bjuss

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